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GENTE QUE ACONTECE ESPECIAL

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Estamos no ano internacional da mulher. A mulher provou que tem talento para assumir qualquer área que desejar. Prova disso é que elegemos a primeira mulher presidente do Brasil…

Em Sergipe não é diferente. O menor estado brasileiro continua fazendo ACONTECER. Em minha passagem por Aracaju estive conversando com uma mulher notável, de uma carreira brilhante, sem rusgas, com sucesso infindável. Assim como Dilma Rousseff quebrou paradigmas, ela é a primeira mulher a assumir a Presidência do Tribunal de Contas de Sergipe:

Maria Isabel Nabuco d’Ávila

Em seu discurso de posse, dedicou as primeiras palavras às mulheres sergipanas, com as quais ela quis repartir as alegrias vividas no momento, e foram para elas que rendeu homenagem e a saudação inicial.

Simpática, elegante, risonha e um olhar transparente, mas enérgico. Assim, começamos a conversar falando primeiramente sobre o papel que a mulher assume nos dias atuais…

Comentou sobre a popularidade de nossa Presidente da República, Dilma Rousseff: – Ela está com 73% de aprovação, tenho muita esperança nela, é dura, discreta. Eu não votei nela, mas estou gostando muito de sua administração. Estou com muita esperança nela. E eu sou que nem ela, não gosto de aparecer, eu gosto de mostrar trabalho. É um sacrifício para eu dar entrevistas, principalmente porque quando falamos com a imprensa alguns publicam o que ouviram de outra maneira, deturpam tudo. Mas, Dilma Rousseff vem conduzindo muito bem. Soube que quando marca uma reunião ela chega no horário, não admite celular; acho certo porque celular atrapalha, você quer atender porque acha que é urgente, principalmente se está viajando; tem marcado reunião sexta à tarde, tem diminuído os gastos. Ela está certa.

MPA – Uma mulher que ocupa hoje o cargo que Dilma Rousseff, que a senhora e algumas outras mulheres ocupam… Deve ser muito difícil administrar a família. Como a senhora faz?

Maria Isabel N. d’Ávila – A gente tem de saber administrar o tempo para o trabalho e a família. Eu mesmo já vou mudar porque estava com o pé no acelerador, chegando aqui no Tribunal às 7hs e saindo mais de 21hs. Não vou poder ficar assim, senão vou terminar pegando uma estafa, um stress muito grande e não vale à pena, e já tive um alerta no fim de semana, fiquei meio cansada e com os pés um pouco inchados, e nunca tive isto. Faço exercícios físico diariamente e ultimamente não tenho feito, quero voltar a fazer, marquei para começar hoje e não vai dar, irei começar na quarta. Então a saúde da gente está em 1º plano. A gente se organizando da pra fazer tudo e a família eu concilio, o marido é aposentado, me cobra um pouco, pergunta se vou almoçar, coisa de homem mesmo… E respondo, já to indo. Quero administrar este tempo melhor, almoçar em 1h e depois retornar, não tenho tempo de me sentar e isto não é possível, mesmo numa gestão curta como a minha, mas mesmo assim tenho de administrar melhor o tempo.

MPA – A senhora se sente totalmente realizada?

Maria Isabel N. d’Ávila Muito, eu gosto de trabalhar, o problema é que gosto muito… Um dia desses eu disse que se eu pudesse eu nem dormia. Eu ficava direto aqui, mas isso é uma loucura, não é? Não pode ser normal. É bom trabalhar quando gostamos. Eu ocupei o cargo de Secretária de Administração por mais de 5 anos, mas era diferente daqui, lá só eu mandava, aqui é o colegiado, eu quero fazer um projeto, mas se o colegiado não aprovar será decepcionante pra gente. É difícil quando tem resistência, porque além do tempo ser curto eles já podem estar fazendo a contagem regressiva, e eu mais ainda, mas o pouco tempo que eu tenho é o suficiente para realizar o que eu desejo e pretendo. Isso eu garanto. (Ela daqui a 11 meses se aposenta, fará 70 anos)

MPA – A senhora acha que o fato de ser uma mulher dificulta?

Maria Isabel N. d’Ávila – Não, é porque é o colegiado. Tem a parte política, eu não sou política, eu sou a técnica e isso dificulta mais, né? E tem problema de estrutura também, fui Secretária de Administração. Era técnica e atendia a oposição também e aqui fui indicada por unanimidade, mas é que eu penso de uma maneira e o outro pensa de outra. Cada um tem um pensamento, pude ver quanto me apoiaram no primeiro projeto que apresentei no plenário. A criação da resolução que institui a Ouvidoria-Geral do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a novidade dará maior transparência às ações da Corte de Contas, além de aproximar ainda mais o órgão da sociedade.  Tem ainda a Nova Lei Orgânica do TCE e por ai vai… A gente tem de administrar, saber o que quer e por em prática.

MPA – Qual a importância do tribunal de Contas para a sociedade e para os municípios?

Maria Isabel N. d’Ávila – Muito grande, porque primeiro tem de haver uma integração muito boa. Já visitei os órgãos de imprensa, conversei com todos. Sergipe é um estado pequeno e é importante estar sempre realizando seminários, editais em sintonia com os prefeitos, verificando o que eles estão fazendo, quais erros estão cometendo, vendo as suas prestações de contas. E na sociedade fiscalizando as obras civis, e este é um importante trabalho para o tribunal. Não pode deixar servidor ganhar sem trabalhar, isto é abusivo e o Tribunal tem de fiscalizar e dar o exemplo.

MPA – A senhora gostaria de deixar alguma consideração para nossas leitoras que vê o seu sucesso como algo bonito e que as incentiva?

Maria Isabel N. d’Ávila – Digo para todas as mulheres que elas lutem sempre pelos seus direitos. Quando os direitos são conquistados o restante vem junto.                          

Poucas vezes me impressionei com o discurso de uma mulher, mas esta tem garra e determinação. A frente da SEAD foi consciente de seu dever social e criou programas específicos, para a melhoria do funcionamento da secretaria e para melhor servir os cidadãos, como a criação do CEAC (Centro de Atendimento ao Cidadão) onde funcionam 13 órgãos e empresas parceiras, disponibilizando ao cidadão mais de 130 serviços num único lugar poupando tempo e economia. Deixando assim um legado para seu sucessor, com frutos de várias obras sociais implantadas, que poucos tiveram a chance de deixar. Por isso, termino a minha entrevista com o empréstimo da fala de encerramento do discurso de posse desta notável mulher:

 ...Às autoridades, amigos e familiares que a esta solenidade prestigiam com a sua presença, tributo minha gratidão, afiançando-lhes que tudo farei para não decepcioná-los. Concluindo, lembro o Cardeal Mazarino, que dizia ter para inspirá-lo dois motes: saber esperar, saber agir. E ao lhe perguntarem – “como os concilia?”, – respondeu: “não os concilio. Coloco-os um frente ao outro. O sucesso pertence a quem sabe servir-se de um ou de outro no momento oportuno”. Tentarei, então, saber esperar e saber agir no momento oportuno. Que Deus me ilumine e me guarde nesta nova caminhada que ora inicio.

 Diante destas palavras faço coro contribuindo com as minhas orações para que os caminhos dela sejam iluminados, e que, tenha forças para concretizar todos os sonhos alicerçados nestes 11 meses restantes à frente do Tribunal de Contas de Sergipe.  

fotos: Acrísio Siqueira-TCE

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