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CASOS AMERICANOS

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De tempos em tempos vejo-me “forçado” a fazer curtas viagens aos Estados Unidos, afinal Mr. and Mrs. Porter, pedem minha presença e eu, lógico, não posso decepcionar.

Na última curtíssima viagem fiz algumas anotações, que começaram no Aeroporto de Detroit, um dos quais faço conexão para Fort Wayne, Indiana.

A temperatura estava baixa, mas no interior do enorme aeroporto estava por volta de 25 graus, quando percebi um senhor, mais de 70 anos, bem vestido, usando uma camiseta branca, que só se via a gola, uma camisa, depois uma blusa de lã e por cima de tudo um casaco de chuva.

Usava um boné, e certamente sentia um grande calor, porque eu de camisa de manga longa sentia.

Depois percebi outro homem, de mais ou menos 60 anos, alto, usando calça e camisa jeans tradicional, mas na cabeça portava um lenço que ostentava a bandeira dos Estados Unidos. Sem nenhuma preocupação deslizava pela esteira rolante a procura de seu portão de embarque.

Ao longe vi uma figura que só identifiquei de perto, porque de longe não dava para perceber se do sexo masculino ou feminino. Alto, loiro, com óculos de grau e um rabo de cavalo, além de um pequeno brinco. Olhava com atenção para o painel de partidas e chegadas dos aviões. Como vestimenta estava usando calça jeans, camiseta vermelha e jaqueta, um tanto gordo, e de pele amarelada, cor de cachaça, quando não transparente.

Era uma figura que chamava atenção.

Em outra oportunidade penso que ja relatei que certa vez em Paris me deparei com um senhor que entrou no ônibus no qual eu estava, com o detalhe de que ele puxava um carrinho com um tubo de oxigênio, com canos plásticos finos que iam para seu nariz.

Agora nesta viagem me deparei com duas situações idênticas, a primeira uma senhora de cabelos branquinhos que caminhava pela calçada e a outra como assistente de um jogo de “hockey”. Devidamente sentada ao lado do marido e filho, creio eu, assistiu o jogo e torcendo muito.

Em todos estes casos o tubo de oxigênio não se apresentava como empecilho para viver a vida.

Falando em jogo de “hockey” se trata de um antigo jogo criado no Canadá, com seis jogadores, sendo um o goleiro. Usam patins porque o jogo pode ser em pista de gelo, como o que assisti.

Com tacos semelhantes, na aparência, ao do golfe, movimentam um disco que dizem pode ser de ferro ou plástico, mas imaginem o de ferro acertando alguém.

Os jogadores usam roupas grossas e capacetes que protegem a cabeça e o rosto. Com rapidez se movimentam e se atacam, com o obejtivo de fazer o gol ou “goal”.

São três períodos de 20 minutos, com dois intervalos de 15, sendo livre a substituição dos jogadores a qualquer tempo.

No jogo que assisti, semifinal de campeonato local entre Fort Wayne Komets e Wichita Thunder, com resultado de 7 a 3 para os Komets.

Antes de iniciar o jogo, um mascote, pessoa fantasiada de pássaro fez algumas palhaçadas e todos aproveitaram.

Ao alto no centro da quadra uma tela sextavada transmitia o jogo, e nos intervalos imagens dos torcedores, sendo que a maioria usava camiseta de cor abóbora, que é a cor dos Komets. O jogo aconteceu no Memorial Coliseum, Fort Wayne, que calculei com capacidade para 20.000 pessoas sentadas, em cadeira numerada e almofadada.

Sobre a quadra é bom dizer que não é totalmente branca. Varias propagandas coloridas estão insertas, nas mais diversas cores.

Antes de iniciar o jogo um homem de terno, olhando para a Bandeira dos Estados Unidos, cantou o hino nacional. Todos ficaram em pé. Os que estavam de boné, crianças, jovens e adultos, tiraram, e em silêncio total ouviram o hino.

Durante o jogo tudo é barulhento. Os torcedores gritavam “ let´s go, let´s go, let´s go Komets” e por aí vai. Quando um gol é marcado, após o 1º, a cada um, todos cantam: one, two, three, de acordo com o gol que é feito.

A família inteira come hot dog, batata e hamburguer. Os maiores de 21 anos bebem cerveja, e não houve nenhum incidente.

Acabou o jogo. Alegria total. Komets foi para final e eu fui preparar a mala de retorno.

P.S. Soube depois que Komets perdeu o jogo final, no entanto, foi o vencedor do campeonato local, porque de sete jogos ganhou quatro.

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