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TURISMO NO MARAJÓ: OBSERVAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES

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A ilha do Marajó está localizada ao norte do Brasil, nordeste do Estado do Pará, na desembocadura do rio Amazonas. É a maior ilha fluvio-marinha do mundo, com uma área de 49.606 Km2, formada por 12 municípios, que com outras ilhas, em destaque as ilhas de Caviana, Mexiana e Gurupá, formam o arquipélago do Marajó.

Dividida naturalmente em dois grandes ecossistemas, a leste as regiões dos campos naturais e a oeste a densa floresta tropical, a ilha do Marajó possui destaque especial no Estado, no ponto de vista econômico, natural e turístico.

No ponto de vista econômico, desde a colonização, a ilha é um dos mais importantes centros pastoris do Estado e destaca-se ainda por possuir a maior manada de búfalo do Brasil, sendo o primeiro lugar do país onde esses animais foram introduzidos, em 1895, pelo fazendeiro Vicente Chermont de Miranda. O búfalo, por sua docilidade e força, é também utilizado para o transporte de pessoas e cargas. Sendo no Marajó, na cidade de Soure, o único lugar no país onde a policia é montada a búfalo.

Por sua dimensão geográfica, os recursos naturais da região são vastíssimos e possibilitam sua exploração sustentável de várias formas, e entre essas formas está o turismo. O turismo no Marajó começou a se desenvolver a partir da década de 70, através de uma política de desenvolvimento para a Amazônia, e Soure foi escolhida com uma das cidades com “vocação natural” para o turismo. A partir daí vários hotéis foram instalados na cidade. Por essa razão Soure é a cidade que oferece a melhor estrutura turística da Ilha do Marajó.

Os atrativos turísticos do Marajó são representados pela diversifica fauna e flora, pelos vastos campos naturais, as zonas de floresta, praias desertas, pelas fazendas tradicionais como São Jerônimo, Bom Jesus, Sanjo, entre outras, que associam a pecuária ao turismo ecológico e rural. Esses recursos naturais são completados com a riqueza da cultura marajoara, manifestada através de suas crenças, danças, músicas, artesanatos, etc.

Porém, apesar de seu potencial a atividade turística na ilha se apresenta pouco organizada e com demandas reduzidas e concentradas, reflexos, a nosso ver,  da necessidade de uma ação em conjunto do Estado, da iniciativa privada e da população receptora.

Para que o turismo ocorra corretamente e gere os benéficos esperados, é fundamental que alguns fatores sejam considerados, os quais são apresentados abaixo, como contribuição para o desenvolvimento sustentável da atividade.

Política Pública de ação vertical – As ações governamentais muitas vezes beneficiam poucos. Suas ações pouco ou nunca alcançam os outros agentes envolvidos, que estão na base da oferta de serviço.

Pesquisa – Há uma necessidade premente de se produzir pesquisas sobre o ecoturismo e turismo rural na ilha, que subsidiem ações do poder público e da iniciativa privada e ajudem a atividade desenvolver-se de forma sustentável.

Planejamento Participativo – O planejamento turístico deve ser resultado de um trabalho coletivo, incluindo a sociedade e seus segmentos.

Qualificação e absorção de mão-de-obra local – A população local precisa ser qualificada para atender o turista. Cabe ao governo e a iniciativa privada promover a qualificação e a comunidade exigir essa qualificação e inserção no mercado. 

Valorização da cultura local – As manifestações artísticas e culturais, devem ser incentivados, mas com uma preocupação clara em não descaracterizá-los ou vulgarizá-los.

A valorização do conhecimento tradicional das comunidades – A cultura marajoara é marcada pelo acúmulo do saber sobre o hábitat natural. Esse etnoconhecimento marca a vida do homem marajoara e não pode ser desconsiderado em face do conhecimento científico e menos ainda do desenvolvimento do turismo.

Acredito no turismo como atividade conservadora dos recursos naturais e geradora de riqueza, porém, para que haja um desenvolvimento real é necessário que a comunidade também cresça e seja beneficiada dos resultados positivos desta atividade.

Texto: Marinete Silva Boulhosa

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