Crônicas

Gafes Inocentes

De todos os animais, nós que nos achamos superiores, nascemos sem saber nada. Não sabemos andar, não sabemos comer, não sabemos falar, enfim, somos totalmente dependentes. Alguns até para o primeiro choro precisam…

Gafes Inocentes
Foto: Julius Schorzman / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

De todos os animais, nós que nos achamos superiores, nascemos sem saber

nada. Não sabemos andar, não sabemos comer, não sabemos falar, enfim, somos

totalmente dependentes.

Alguns até para o primeiro choro precisam receber um tapinha no “bumbum”

(como se dizia no passado).

Certa vez, nas imediações da grande Taubaté assisti ao nascimento de um

bezerro, auxiliado por um veterinário e vários curiosos. O bicho nasceu e já tentava

andar.

Bom, o certo é que nós vamos aprendendo sempre, não importa a idade. Hoje

tenho certeza disto, bastando querer e observar.

Mas lembrei de algumas gafes em restaurante e que talvez muitos já

conheçam. Vamos lá. Essa é conhecida.

Também na grande Taubaté, na minha juventude, alguns amigos meus foram a

um restaurante. De costume, o garçon serviu pão e umas bolinhas amarelas bem

apetitosas. Um de meus amigos não teve dúvida: Apoderou-se de um palito e espetou

a apetitosa “batatinha” e colocando na boca rapidamente bebeu a cerveja geladinha.

Não era batatinha era bolinha de manteiga.

Foi uma gozação total. Não presenciei. Me contaram.

A outra que me contaram é que um homem simples, religioso, foi em uma festa

de aniversário de uma pessoa viajada, educada, elegante, enfim, um homem moderno.

O religioso enxergou amendoins, castanhas, chips e outras coisas gostosas.

Lançou a mão em um pequeno pote e tirando uma bolinha meio aberta pôs na boca e

mastigou. Ouviu-se alguns barulhos, croc, croc e a bolinha era dura.

Era pistache que o homem não conhecia. Não gostou e reclamou

discretamente ao aniversariante, que também discretamente ensinou ao amigo como

comer.

Depois disso ele deliciou-se com mais pistaches e a gafe se transformou num

momento de grande brincadeira.

Outra que soube foi por um Chef amigo meu, que nestes dias está em Lucerna,

na Suíça, estudando sobre doces e pães.Ele estava em uma degustação de azeite. Apresentaram vários azeites e na

mesa também havia pão e maçãs cortadas em vários pedaços.

Sendo sua primeira vez prestou atenção e não praticou nenhuma conduta. É

melhor esperar os mais experientes agirem para copiar.

O expositor iniciou a explicação sobre azeites para, em seguida, esclarecer

como fazer a degustação.

Enquanto a exposição se desenrolava duas pessoas, um tanto apressadas,

molhavam pedaços de maçã no azeite e experimentavam. Me disse o Chef: “A

impressão que tive é que não estavam gostando.”.

Já ao término da exposição, para dar início à degustação, o expositor disse:

“Cada espécie de azeite pode ser degustado com um pedação de pão, que não deve

ser encharcado”. “Entre a degustação de um azeite e outro comam uma fatia de

maçã, para tirar o gosto do azeite anterior.”

A maçã não era para ser molhada no azeite, era para afastar o gosto anterior.

Tinha razão o Chef. Não estavam gostando mesmo. Pensem: Maçã com azeite!

É isso aí. Gafes inocentes que não prejudicaram e nem ofenderam ninguém.

Serviram todas como motivos de risos e brincadeiras.

Abraço a todos.

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