Direitos

Entre Perplexidades Surge um Novo Tempo

Aceitei o convite da jornalista Miriam Petrone para escrever em seu site. Para mim será uma honra e também uma grande responsabilidade. Pensei: o que devo escrever? Direito? Filosofia? Literatura? Ora, a minha proposta…

Entre Perplexidades Surge um Novo Tempo
Foto: Leandro Ciuffo / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

 Aceitei o convite da jornalista Miriam Petrone para escrever em seu site. Para mim será uma honra e também uma grande responsabilidade.

Pensei: o que devo escrever?

Direito? Filosofia? Literatura?

Ora, a minha proposta é falar sobre o ser humano em todas as dimensões, claro que darei ênfase aos conhecimentos que domino. O mundo hoje precisa de permanente reflexão, especialmente com a rapidez dos meios de comunicação e das redes sociais. Compreender ou tentar compreender as transformações das relações humanas, das interações culturais, do globalismo e também a crise de sociabilidade, tornando os jovens muitas vezes violentos, e os adultos também.

Sinto que existe um isolamento dentro das próprias residências. As pessoas não mais conversam, tuitam, postam, trocam SMS, e até há pouco teclavam.  A aldeia global virou a aldeia digital. Não temos cara, temos avatar.

Eu não sei aonde vai parar. Nem por isso sinto saudades da máquina de escrever, do telex e do telefone com fio, da tv preto e branco, ou mesmo das cadeiras nas calçadas.

A fila anda como dizem os colunistas sociais.  Aqui seria... a tecnologia anda a passos muito rápidos.

Uma revolução que precisamos acompanhar, inclusive no direito.

O que não podemos perder é a humanidade.

Lembro de Charles Chaplin em “tempos modernos” quando chama a atenção de que somos humanos e não máquinas.

Em verdade, estamos perplexos. Tanta novidade nos perturba.

Os mais jovens, os que nasceram nesse novo tempo encaram com a maior naturalidade e se surpreendem quando alguém não usa todos os recursos do celular, não conhece e não sabe utilizar os aplicativos  do computador, e fica doido quando se defronta com smartfones, netbooks, ipad´s  e tantos outros gadgets (essa parafernália maravilhosa que a mente humana vai criando).

E o que isso tem a ver com direito, filosofia ou literatura?

Tudo.

Porque todas essas coisas são produtos culturais da humanidade. O direito é por excelência também um produto cultural, e a ele cabe organizar as relações na sociedade, agora uma sociedade diferente, nova, uma sociedade do conhecimento.

A filosofia contemporânea busca compreender essas mudanças  que quebram a todo instante os paradigmas até então garantidores de uma compreensão do mundo como tal, e que não mais explicam o que está acontecendo.

E a literatura?

A libertação da prisão do livro físico, por vezes inacessível, por ser caro e mal distribuído, por não ser ambientalmente politicamente correto.

A democratização do acesso via rede mundial de computadores, a internet, é uma verdadeira revolução que se faz em mão dupla: o escritor que se abre  a um público novo, e a possibilidade do leitor também escrever através dos blogs, do miniblog twitter e dos espaços que vão surgindo a cada instante.

A poesia, a prosa e todas as formas de literatura e as outras manifestações culturais ganharam um espaço que reduz distâncias, aproxima culturas e estabelece novos códigos, novas linguagens e novas perplexidades.

Por isso, estou aqui, escrevendo para você que pode estar em qualquer lugar, que fala qualquer idioma, e que de repente passa a ser o meu interlocutor sem que nunca tivéssemos sido apresentados.

Veremos-nos em breve, meu abraço virtual.

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